June 22, 2019

‘Desautomação’ – os robôs nas redes sociais de Mark Zuckerberg

‘Desautomação’ – os robôs nas redes sociais de Mark Zuckerberg

Depois de começar a excluir seguidores, comentários e até contas do Instagram, é a vez do WhatsApp declarar guerra contra a automação

Desde que emergiu como candidata à assumir o lugar do Facebook na preferência mundial, o Instagram levanta discussões sobre as consequências do seu uso. Aqui, na Agência Centro Oeste, nunca escondemos a antipatia por esta rede social, não por causa dos efeitos que ela traz às marcas (e, admitimos, ela pode e deve ser bem utilizada pelas marcas), mas sim pelo que ela causa nos usuários.

O Instagram sempre foi um “mundo” de pouco ou nenhum conteúdo e de muita, ostentação. Belos corpos, belas paisagens, comida exótica, viagens cinematográficas... mas, de que adianta ostentar belas imagens se não dá pra ostentar um número robusto de seguidores?

Começava o comércio de “likes”. Por uma quantia em R$ a marca poderia deixar a casa dos 5 mil seguidores e se instalar nos 30 mil seguidores. Quem eram esses 25 mil seguidores a mais? Na época, não importava. Ainda hoje não importa. Nunca importou.

Mas alguns desenvolvedores surgiram com uma solução “melhor”, adubadores de perfis. Ou seja, aplicativos que seguiam pessoas cujo grupo de interesse era o mesmo do público alvo da marca e esperava-se que esse grupo fizesse o movimento inverso, seguir de volta (a famosa “troca de likes” ou “follow for follow”). Dava certo.

Foi bom – há controvérsias – enquanto durou. E durou pouco.

Em novembro de 2018 o Instagram anunciou que “passaria a remover atividades não autênticas” no aplicativo. Segundo a plataforma, a ideia de uma rede social consiste em proporcionar aos usuários “experiências reais, interações genuínas e atividades autênticas”.

E remover seguidores comprados – sejam humanos ou robôs, foram classificados como falsos – foi a medida mais suave. Em alguns casos, e não foram poucos, o Instagram removeu a conta inteira do usuário.

E agora chegou a vez do WhatsApp. Alvo de reclamações ao longo das eleições 2018, o aplicativo repete o padrão de comportamento das empresas de Mark Zuckerberg: ignora a Justiça e não responde às perguntas em inquéritos.

Mas, ainda durante as eleições, aqui na Agência Centro Oeste notamos que a plataforma começou, por conta própria, a dificultar o seu mau uso. Antes mesmo do fim da corrida eleitoral, deixou de ser possível o compartilhamento de uma mensagem com o número limite de 256 pessoas. Na época, o teto passou a 20 compartilhamentos e, posteriormente, a cinco.

Hoje também já não é mais possível compartilhar um conteúdo infinitamente a partir de sua origem. Agora são, no máximo, cinco compartilhamentos. Depois disso, o usuário tem que voltar à matriz para continuar compartilhando.

E não para por aí. Na primeira semana de junho, o WhatsApp anunciou que vai processar – isso mesmo, processar – quem enviar mensagens em massa. Com isso, já sentencia à morte uma série de “agências” especialistas em vender contatos telefônicos para terceiros e desenvolver aplicativos externos que enviam mensagens automáticas. Anunciou ainda que, mesmo antes de partir para a esfera judicial, já está banindo da plataforma usuários que violam os termos de serviço.

A popularização da internet revolucionou a comunicação entre consumidor e marca. Isso só foi possível por conta de uma filosofia de marketing que chamamos de “humanização da marca”. Em essência semântica, o uso de aplicativos automadores é exatamente o contrário de se humanizar uma marca. Ressalte-se, aqui na Agência Centro Oeste, isso soa muito parecido com trapaça, uma vez que o crescimento da plataforma é resultado direto da geração de conteúdo de valor para o público.