August 4, 2019

Errar está na moda nas redes sociais! Você está errando também?

Errar está na moda nas redes sociais! Você está errando também?

Ouve-se muito o termo “tendências da moda” porque usamos roupas 24 horas por dia, todos os dias. Mas todas as atividades da engrenagem econômica têm as suas tendências, já que o mundo muda diariamente e as empresas de todos os setores se ajustam para continuar relevantes no mercado.

E não é a engrenagem produtiva que dita a moda, ela só se adapta. Quem dita a moda é o consumidor. E o consumidor é passível de erro. Vide as roupas, cabelos e maquiagens da década de 1980 (imagem deste artigo).

O erro que está na moda nas redes sociais é comprar a ideia de que o Facebook está morto, abandonar as estratégias da sua marca na plataforma e concentrar recursos, energia e atenção no Instagram. Incontáveis marcas – sobretudo micro e pequenas empresas – estão fazendo isso a passos largos.

No entanto, dados apresentados pela equipe de Mark Zuckerberg no Brasil, no final do primeiro semestre de 2019, comprovam muita coisa diferente disso. E antes que alguém diga que Zuckerberg só faz isso pra não perder ainda mais usuários para o Instagram, devemos lembrar que ele é dono também do Instagram.

O Facebook está morto?

Quem falou? Seus filhos? Seu sobrinho? Aquele amigo universitário intelectual que ainda vive de mesada? Percepções pessoais e achismos em geral não têm lugar na hora de traçar uma estratégia de comunicação para a sua marca.

Por mais emocional e emotiva que seja a produção de conteúdo para redes sociais, em plena era da informação, decisões precisam ser tomadas com base em indicadores e estudo de comportamento. Os dados apresentados dão conta de que o número de usuários ativos do Facebook no Brasil é quase o dobro do Instagram: 128 milhões todos os meses x 70 milhões.

Nem um, nem outro

E se a conversa fosse simplesmente sobre usar a plataforma com maior número de usuários, todo mundo estaria errado: defensores do Facebook e fãs do Instagram.

Isso porque a rede social com maior número de usuários no Brasil de 2019 não é nenhuma das duas, é o WhatsApp, com 137 milhões pessoas usando diariamente. Pra se ter uma ideia do poder dos aplicativos de mensagens individuais, o Messenger, o comunicador do Facebook (que nem todo mundo gosta), tem 90 milhões de usuários ativos. Ou seja, mais do que o Instagram.

Cadê a geração de leads?

Uma das principais qualidades (e um dos piores defeitos) do Instagram é a fugacidade. Pequenos vendedores de roupas, joias, comida e afins podem sim ter retorno de vendas em bom volume e em curto prazo sobre as postagens dos stories, mas a trajetória de crescimento de uma marca prevê muito mais que isso.

Desde que a internet chegou para ficar na vida das pessoas, a comunicação empresarial trabalha para ter seguidores cativos, fãs de uma marca. E isso se faz através da geração de leads.

Se você não tem uma estratégia para “capturar” esse lead – o clássico “deixe seu e-mail para receber este e-book grátis” ou o moderno “clique aqui para chamar no WhatsApp” – seu trabalho na internet vai ser, para sempre, o trabalho de um micro-vendedor de produtos a baixo custo.

E o Instagram não faz isso. O único lugar onde entra um link vivo (ou “clicável”) é na biografia e as marcas são induzidas pela própria plataforma a colocar ali o site institucional da empresa (que em 9 a cada dez casos tem material estático ad eternum). Também temos links vivos nos stories.... mas só disponíveis para as contas com mais de 10 mil seguidores.

Ou seja, o lead do Instagram fica no Instagram, e você disputa a atenção dele com outros 70 milhões de usuários. E, como todo no Instagram é fugaz, amanhã ele pode não ser mais um lead seu.

Ainnn.... os Stories... ainnn...

Stories. Essa ferramentinha pouco útil que Mark Zuckerberg copiou do Snapchat (porque não conseguiu comprar o Snapchat) caiu nas graças do usuário de tal forma que se espalhou como epidemia por toda a plataforma digital.

Depois do Instagram ela foi adotada pelo Facebok, pelo WhatsApp (que chama de “status”, mas é a mesma coisa), pelo YouTube (que pertence ao Google, grupo empresarial concorrente) e até por sites de notícias, como por exemplo o G1, das Organizações Globo.

E se um usuário comum segue em média cinco mil outras contas e metade delas atualiza os Stories, são nada menos que 2,5 mil postagens a serem vistas. E os usuários dificilmente têm paciência para ver mais de dez em sequência. E as marcas estão viciadas nos Stories. Mas, a menos que os Stories sejam estrategicamente planejados em rotatividades de horário, seu desempenho é questionável.

Cadê a integração?

Conversar com a audiência é a pepita de ouro do marketing digital e as redes sociais são uma ferramenta poderosa para isso. Mas só conversar não paga as contas. É preciso – sempre foi – ter uma estratégia integrativa, aproveitando o melhor de cada plataforma, mas sempre conduzindo o lead para onde você pode armazená-lo e conversar com ele: seu site/blog, seu bando de e-mails ou sua lista de contatos telefônicos.

Ignorar essa realidade é assumir que não vai aproveitar das vantagens que a internet trouxe para a comunicação empresarial e passar o tempo a esperar pelo próximo usuário que dê dois tapinhas na sua foto e corra a timeline para o próximo post, sem pensar sobre o que a sua marca está querendo dizer.